MJP e o Brasil
Não vou julgar a pianista portuguesa por escolher a nacionalidade brasileira. O comentário público que fiz está aqui para se ler. Não concordo com as palavras do autor desse post, e o meu comentário até foca o problema do ensino da música em Portugal.
Nesse contexto, devo dizer que todo este acontecimento roça aquilo que tenho ouvido muito ultimamente: os portugueses esperam todas as beneces do Estado. Embora eu concorde em muitos casos, continuo a achar que quando se tem vivido numa cultura desse género, é difícil o empreendedorismo. O próprio Estado penaliza quem tem o empreendedorismo pois são a esses quem exige aquilo que não pode exigir a quem usufrui dos benefícios dados (óbvio).
MST deu uma entrevista ao DN onde também reflecte sobre a falta de empreendorismo em Portugal e o facto de até os mais privilegiados pedirem ajuda do Estado para sustentarem as suas fundações (como MST refere) ou outros projectos.
Acho que é um ciclo vicioso. Se não há cultura de autosustentação e criação de riqueza/cultura sem ajuda do Estado, este obviamente não tem a quem cobre os impostos sem ser os poucos que produzem algo. É injusto, pois os poucos que o conseguem, eventualmente deixam de o fazer pois sentem que as "beneces" que dão ao Estado não são aproveitadas convenientemente. Solução? Não sei. Mas um ponto de princípio seria criar regras para determinar especificamente quem e que tipo de projecto é que merece o apoio. Àqueles que criam riqueza, não se deveria desencorajar, penalizando-os por serem empreendedores.
Num tom mais cómico da notícia da MJP, aqui fala-se de prima-donas.