Ah... esses belos anos da reforma!
Segunda-feira aqui e em todo o lado.
Dormi muito melhor, pois precavi-me com um cobertor extra. Cada vez que olho para os cobertores e almofadas lembro-me do meu querido Pedro que é alérgico aos ácaros. <3
Acordei cedíssimo, para variar. Já começaram os trabalhos da lavoura lá fora, pois o pátio está um matagal. “Choveu muito, que é que queres?! Estava-se mesmo a ver…” diz a minha mãe toda conformada.
A lavoura em casa também começou cedinho. Encerar a sala de jantar. Devo ter inalado tanta terbinafina* e compostos alifáticos derivados do petróleo, que a quantidade de radicais livres no meu organismo terá disparado para valores nefastos. Enfim, vou beber vitamina C e comer vitamina E. Talvez umas fibrazinhas com ómega 3 devam ajudar também. Ah! E regar bem regadinho os meus legumes com uns óleos vegetais insaturados cá da terra…
Passado este momento maravilhoso de escárnio sobre a minha saúde, passo a contar-vos que ontem fui a Penacova.
Já me exprimi no quanto a minha mãe é sarcástica? Um
exemplo: tinha eu acabado de estacionar no parque municipal em Penacova, mesmo
no topo da montanhazinha [desculpem, mas depois de ver Montanhas com M grande
nos Pré-Alpes (e eram os Pré-Alpes!!), tudo aqui em Portugal soa-me a colinas…
hihih], quando a minha mãe larga o seguinte comentário:
“Vá despacha-te! Vamos ali ao café turístico comer umas nevadas e beber um café. Mas tens de ser rápida, antes que os velhinhos do autocarro entrem e tomem conta daquilo!”
Os velhinhos do autocarro deveriam ser daquelas excursões que as Câmaras Municipais por este país fora organizam para a terceira idade. Ora, como a terceira idade já começa no terceiro terço da vida, contando que todos cheguem pelo menos aos 100 anos, isso significa que estes “velhinhos” tinham pelo menos mais de 65 anos. A minha mãe tem 66 anos. Hahaha…
Outra pérola foi ouvir uma senhora a explicar a outra senhora que Penacova significa… Pé na Cova. A minha mãe começa a ficar muito incomodada e solta frases assim alto o suficiente para as senhoras ouvirem. “Ó mãe, vá, esteja caladinha!”
Na minha opinião, a terceira idade na minha mãe só lhe fez voltar à primeira idade.
Deviam ver-me a dar-lhe sermões sobre “como tomar os comprimidos que o médico prescreveu”, ou então “mas dói-lhe? E foi à consulta?” resposta: “sim”; “então e não se queixou porquê?” “ah, porque me esqueci!...”
De perder a paciência.
Já lhe disse: “Mãezinha, depois de Setembro é bom que atine nestas coisas, porque não estarei cá todos os dias para a controlar.”
No outro dia descobri que parou de tomar os medicamentos para controlo da hipertensão durante uns dias. Porquê?, perguntei eu. A resposta foi um misto de “ah, porque isso é uma chatice. Mas falando agora a sério, eu tenho a tensão controlada!...”
E é nestas alturas que penso que por pouco tempo que tenha passado à frente do balcão numa farmácia, ajudou-me a lidar com respostas como estas. Apesar das respostas para a minha mãe serem mais do género: “Então ando eu a pregar aos peixes ao balcão, chego a casa e descubro que ando a pregar aos peixes aqui também?!”
Noutro assunto, e para aqueles interessados (que curiosamente são muitos!), o crochet está óptimo!! Vou no primeiro terço, e parece-me bastante jeitosinho.
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"sim, por causa da cera!"
"mas... terbinafina?"
"sim, terbinafina e outros componentes derivados do petróleo!"
"Mas..."
[neste momento fez-se luz na minha cabeça]
"AAAAAaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, não é terbinafina, é terebentina!"
"Ah, pois, estava a ver que era cera com bocados de lamisil lá dentro!"
E por isso é que está aqui este asterisco. Onde se lê terbinafina, leiam, por favor, terebentina. Mas se quiserem, divagem sobre o porquê do meu cérebro ter posto terbinafina como componente da cera para o chão!... :)
(esta minha mente farmacêutica não pára... ui)
Comments
Realmente querida Andie, essa mente farmacêutica não pára!
E vê lá o quanto já desaprendi, que nem tinha reparado...sou mesmo uma triste!
Enfim, a cabeça não dá a para tudo, a mente vai fazendo uma selecção natural...:)