Não sei se já relatei por estas bandas, mas este semestre resolvi aumentar o meu currículo em termos de actividades e experiência profissional no que toca a "dar aulas" ou "professorear", como eu gosto de dizer.
É o correspondente à nossa galénica. Lá têm as suas fichas de manufactura, que têm de preencher durante a aula. Fazem desde papéis farmacêuticos, soluções, emulsões, supositórios, cremes, pastas...
O problema (para mim vejo-o como problema) é que é um modulo dado aos alunos do 1º ano. Estes ainda não têm sensibilidade para assuntos farmacêuticos e é-lhes exigido que saibam para o que é que o medicamento é dispensado, quais são as funções dos activos... etc. Ou seja, os alunos acabam por "papaguear" o que aprendem nas teóricas e o que lêem na BNF ou BP.
Já expressei a minha opinião quanto a isto, embora saiba que a minha opinião, para os professores, nada acrescenta.
Os alunos até se safam, talvez tão bem como nós nos safamos ao 3º ano. Mas sinto que não tenho grandes progressos depois de meio semestre. Muitos continuam com erros que já lhes tentei corrigir n vezes! E obvio que nao ajuda o facto de eu nao ter sempre o mesmo grupo de alunos. Vem o assistente A e diz qualquer coisa e depois eles ouvem-me a mim e pensam que eu ja disse qualquer coisa diferente... Nao ajuda.
Mas o que me preocupa mais em relaçao a este modulo, e mesmo a falta de tacto que tem a trabalhar num laboratorio. GWP (good working practice) sao regras que nao cumprem, e se eu contar pelos dedos das minhas maos as vezes que vejo os alunos a deslocar uma balanca antes de pesarem algo nesta... ja preciso de recorrer aos dedos dos pes!
E e assim que o UK cria os seus farmaceuticos. Copy cats.
No final, somos todos farmaceuticos. Ate harmonizados na Europa estamos!
Uma coisa e certa: apesar de eu achar que eles estao entusiasmados por estarem nestas aulas a criar prototipos de medicamentos, eu acho que nao e o mesmo impacto que nos tivemos. Simplesmente porque ainda nao "cresceram" farmaceuticamente falando... :)
Eu lamento que tenha de dizer isto, mas cada vez mais acho que Portugal é o paraíso do exagero do marketing e publicidade. Aceita-se tudo e o culminar disso são aqueles 15 minutos no intervalo de jogos da Selecção!
/mode refilanço on
Hoje vi um anúncio da marca de genéricos da Pfizer - eu não me lembro do nome da marca (só vi o anúncio hoje e foi tudo muito rápido).
Só o facto de eu ver um anúncio de uma marca de genéricos já é, por si só, bastante curioso. Lá vamos nós pela estrada da "prescrição por DCI"... Não, não vou por aí. Embora seja óbvio que se queira ir por aí...
O anúncio dizia, muito rapidamente, "chegou a nova marca de genéricos da Pfizer" e "genérico que são diferentes dos outros" (ou algo assim)... "unicos"... etc etc
Eu lamento a minha ignorância em relação a marketing farmacêutico, não estou a par nem sonho o que se possa hoje em dia vir dizer a ṕublico num anúncio para um produto farmacêutico. Mas simplesmente quero explicar o meu espanto em relação a frases como aquelas que citei acima. (e isto é válido para os anúncios da Generis também!)
A meu ver, anúncios a marcas de genéricos são um chamado "loophole" na lei. No público geral uma indústria não pode fazer publicidade do seu produto que seja sujeito a receita médica, normalmente esse tipo de publicidade é escrita em revistas e com bastante informação adicional. As revistas ou panfletos, normalmente são dirigidas a grupos profissionais da área de saúde. OK, até aqui não faz mal, faz sentido e concedo que seja necessário à sobrevivência no mercado.
Agora, ir praguejar para o público geral acerca de uma ou outra marca de genéricos é algo estranho pois o público não deve ter (em princípio) escolha da marca que toma. Em princípio, friso.
A existência destes anúncios em intervalos de jogos da Selecção só mostra o quanto o mercado de genéricos, em Portugal, é um paraíso de influências... O utente na maioria das vezes nada tem a dizer, mas é de tal modo bombardeado com tanta marca diferente de genérico (teoricamente à sua disposição de escolha), que insinua-se que na vida real é o utente que escolhe.
Noutro ponto, dizer que uma marca de genéricos é única é uma afirmação altiva e confusa para o público em geral. O grande dilema do utente é exactamente se o genérico é igual ao medicamento de marca. Outro grande dilema até se põe: se são supostamente iguais ao de marca, porque é que há-de haver tantos medicamentos genéricos para uma só molécula de patente caducada?
Conclusão: os genéricos da Pfizer são melhores porque simplesmente são exactamente as mesmas fórmulas que as patentes originais, produzidas sob GMP da Pfizer, com matérias primas que eles provavelmente também utilizam para os outros medicamentos de "marca" (à excepção, eventualmente, do activo, claro), e portanto representam um baixíssimo custo de produção por parte da Pfizer. Só se fossem malucos é que eles não fariam uma "marca" de genéricos! Especialmente com um mercado na Europa como o nosso, tão permissivo para os genéricos...
/mode refilanço off
O quanto é que uma pessoa pode fazer brainstorm sozinha?
É o que tenho feito nestas últimas semanas acerca do meu projecto.
Realmente tenho um grande quê de necessidade de saber o que é que vou fazer daqui a x tempo e gosto muito de trabalhar por objectivos e organização.
Adoro planos. Odeio quando não funcionam.
Mas a ciência é mesmo isso. É observar, pensar, desistir, insistir, pensar mais um bocadinho, melhorar, piorar, insistir, desistir, criar, anular, pensar ainda mais, e com sorte, concluir qualquer coisa de jeito no final!
Descubro todos os dias que não sei. Estou ali para aprender. Mas todos os dias penso que também não quereria estar noutro sítio, embora este às vezes me pareça que me atrapalha mais do que me ajuda... simplesmente porque me confunde mais do que deve e deixa-me sensivelmente perdida nos meus planos...
Ciência, quer queiram quer não, também tem o seu quê de sorte e ocasião (circunstância).
Eu estou inocentemente à espera que tudo se conjugue gradualmente para que eu possa finalmente pôr o meu plano em prática.
Lentamente lá vou conseguindo. Mas isto têm sido obstáculos difíceis...
Por outro lado, durante esta semana houve um acontecimento (não relacionado comigo) que pôs-me a pensar na minha perspectiva acerca do meu trabalho. Seguramente a minha mae tem razao... nao ha mesmo nada melhor do que estarmos agradecidos por termos saude.
Eu já vos disse o quanto o ponto alto da minha semana é a quarta-feira à noite com as aulinhas de yoga??
Dá-me vontade de sorrir e ainda fico mais feliz quando sinto so músculos todos exercitados (todos também não, mas para lá caminha!)
Confesso que sou a única com um yoga mat cor-de-rosa, e confesso também que me esfalfo toda para chegar a tempo e horas! Na semana passada cheguei um bocadinho de nada atrasada, o que fez com que não tenha estabelecido a minha respiração convenientemente. No que isso deu foi que me senti mais cansada no final da aula e sem energia para tudo. Hoje, tal como na primeira aula, cheguei a tempo e comecei tudo do início como deve ser, o que faz logo a diferença!
Vou tentar praticar as sequências que já aprendi durante estes dias, para ver se desenferrujo mais depressa :)
aaaaaaaaaaaaaaawwwwwwwwwwwwwwwwww é tão bom o yoga :)
Escusado será dizer que a parte do relaxamento, no final da aula, é a parte pela qual mais anseio o dia inteiro (se não for a semana toda!)
<3<3<3<3
São sete.
São sete vezes.
São sete dias.
São sete obrigações.
São sete.
E confesso que estou cansada. Duas vezes mais cansada do que o costume.
Acabei (finalmente e já não era sem tempo!) de ler o "Sementes Mágicas" de V S Naipaul.
Um livro que me agradou bastante, tal como espero sempre de qualquer livro de Naipaul. No entanto confesso que que a leitura por altura do capítulo 11 ("Papalvos") deste livro é que me fascinou bastante.
Mais uma vez, Naipaul faz uma descrição e análise profunda daquilo que o rodeia. Neste capítulo, engendrado de uma forma brilhante, de modo a encaixar na história dum modo não muito evidente (sendo a análise que é), há uma desconstrução daquilo que é a classe baixa dos subúrbios ingleses na década de 90 (e 00s).
Genial.
Confesso também que ler este livro em português foi um pouco de um esforço para mim, visto que a leitura de Naipaul para mim sempre foi em inglês, fluindo muito melhor e parece que não sinto as personagens tão distantes nos seus discursos... (pareço doidinha a descrever estas coisas... este pormenores!)
O senhor que se segue é José Saramago, As intermitencias da morte. Ja me disseram que fiz uma belissima escolha. Resta-me descobrir isso :)
Ca vou eu, para o livro que me espera...
Noutras noticias...
... as aulas de yoga são tão fantásticas!! Adoro. É incrível como o exercício de relaxamento me deixa tão relaxada que, não só adormeço a meio do exercício (já me aconteceu várias vezes!), como chego a casa e durmo que nem uma bebé.
Confesso que me estico e faço um bocado de esforço. Nunca tive jeito algum para o desporto, especialmente coisas de ginástica, mas ainda vou a tempo de ganhar o gosto e o jeito.
... o trabalho corre na mesma confusão de sempre. Há mil anos que não escrevo nada na minha revisão literária, e que não leio nada de novo. O meu estudo de estabilidade começou hoje e sinceramente foi um dia caótico. O que vale é que a minha aluna de Erasmus é uma rapariga esperta... Vamos ver como corre para a semana.
... o crochet tem estado "on hold" porque não tenho tido tempo. Mas este fim-de-semana prevejo um ataque feroz. :) Especialmente porque vou trabalhar nos dois dias.
(alguém hoje disse-me "coming on saturday AND sunday? Oh, you should rest Andrea!")
... já comprei o meu voo Easyjet para Lisboa. De Luton. E aviso já que estou arrependidíssima. Mas que seja o que Deus quiser... como se costuma dizer. Volto a Lisboa dia 22 de Dezembro. E partirei de lá no dia 6 janeiro, que e uma quarta-feira. Tiro, portanto, 5 dias de ferias. Isto porque nos restantes, a Universidade estara encerrada.
... Novembro parece ser um mes repleto de aniversarios la no departamento... quase dia sim dia nao ha sempre alguem que faz anos. O que e bom. :)
... hoje começou a chover a serio. Tanto que o tecto tem furos e buracos, portanto deixando passar agua para os laboratorios!! hahahah Neste fim-de-semana preve-se... chuva.
Por agora é tudo. Tenho de ir preparar-me para amanhã.
É com muito gosto que anuncio que as minhas ervinhas aromáticas já têm cheiro. São folhas ainda pequeninas mas já têm aroma!
A salsinha ainda está um bocadinho atrás, mas o tomilho e o manjericão estão bem cheirosos. Coisa mai linda!!
Eu pedi autorização para utilisar um determinado instrumento. Mas a resposta foi "desculpa mas não. Tenta para o ano!".
Ora... vai buscar!!
Assim é que é.
on Naipaul e os seus romances